Tenho 61 anos e lembro-me das primeiras Libertadores que assistí. Era uma época em que os clubes brasileiros não valorizavam a competição, porque era muito difícil e desleal jogar lá fora.
Realmente era uma guerra. Árbitros que não arbitravam nada, só puxavam para os times de língua espanhola. Estádios que eram verdadeiros alçapões, com campos de várzea, instalações ridículas e ameaças de violência de todos os tipos, desde os aeroportos até os hotéis, estádios, etc.. Violência contra os times brasileiros considerada normal pelos mal intencionados juízes, marcação de faltas inexistentes a favor dos times de língua espanhola. Por isso os times brasileiros não viam com bons olhos a disputa deste torneio. Desta forma, os clubes argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos, etc., colecionavam troféus, enquanto os clubes e os torcedores brasileiros não creditavam ao campeonato o valor que os outros competidores lhe concediam.
Isso acabou criando uma desigualdade entre os times brasileiros e os de lingua espanhola. Assim, enquanto ainda engatinhamos neste tipo de torneio, eles se tornaram verdadeiros copeiros (tradicionais disputantes destes torneios). Para mim existe uma diferença de empenho entre os times de língua espanhola e os cadenciados times brasileiros. Acordamos tarde para a Libertadores, demoramos a valorizá-la.
Como podemos ganhar espaço neste tipo de disputa?
Primeiro: Conscientizarmo-nos de que sempre estaremos disputando contra times de língua espanhola, o que, por sí só, já provoca um tipo de antagonismo (mesmo que eles se peguem entre sí, tudo muda quando disputam contra os clubes de língua portuguesa);
Segundo: os clubes brasileiros precisam aprender a marcar a saída de bola dos adversários e melhorar a pegada. O brasileiro não gosta de correr atrás da bola, gosta de bolinha no pé... Os que melhor fazem o jogo disputado, são os times gaúchos;
Terceiro: os cartolas e os jogadores brasileiros precisam se conscientizar que não somos mais os melhores do continente disparados. Uruguaios, argentinos, chilenos, paraguaios, etc., disputam de igual para igual com times brasileiros;
Quarto: precisamos reavaliar os campeonatos regionais. A maioria dos torneios regionais (principalmente os dos centros mais desenvolvidos do futebol) não servem para nada. São perda de tempo e só servem para despreparar os times para disputas mais importantes. Precisamos adotar um esquema que permita manter os times de menor investimento em atividade (porque eles servem como fornecedores de jogadores para os times maiores) e permita que os clubes maiores tenham mais tempo para preparar seus times. Hoje em dia a preparação de pré-temporada é ridícula e não permite que os times entrem preparados nas disputas importantes.
O QUE ACONTECEU COM OS VASCO FOI QUE O TIME COMEÇOU UMA DISPUTA IMPORTANTE SEM MUITOS DOS SEUS JOGADORES MAIS IMPORTANTES, QUANDO DEVERIA ESTAR COM SUA FORÇA MÁXIMA!
O VASCÃO COMEÇOU O ANO DISPUTANDO UM CAMPEONATO CARIOCA RIDÍCULO, JOGANDO CONTRA TIMES DE CATEGORIA MUITO RUIM, DESGASTANDO-SE QUANDO DEVERIA ESTAR SE PREPARANDO PARA A LIBERTADORES!
O CALENDÁRIO BRASILEIRO É RIDÍCULO!
MAS FICAM NO AR ALGUNS QUESTIONAMENTOS: QUANDO O TIME DISPUTAVA A SEGUNDA DIVISÃO, NÃO HAVIA OUTRO OBJETIVO SENÃO SUBIR PARA A PRIMEIRA DIVISÃO. SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS ERAM DERRAMADAS VINTE E QUATRO HORAS POR DIA. O TIME SABIA QUE NÃO HAVIA OUTRA ALTERNATIVA. HOJE, POUCOS JOGADORES DAQUELA EPOPÉIA RESTARAM, O ELENCO MELHOROU QUALITATIVAMENTE, MAS QUANTOS AINDA SE SENTEM COMPROMETIDOS COM O CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA? LEMBREMOS QUE NAQUELA ÉPOCA, TANTO A DIREÇÃO DO CLUBE COMO OS JOGADORES, ERAM QUESTIONADOS QUANTO A SEUS MÉRITOS E SOMENTE ELES DEVIAM PROVAR QUE MERECIAM GALGAR O PATAMAR SUPERIOR. HOJE, QUANTOS DIRIGENTES E JOGADORES ESTÃO NO MESMO BARCO?
ESPERO QUE TODOS!!!
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